No mês passado, gastos somaram US$ 1,77 bilhão, informa BC.
É o valor mais baixo desde maio deste ano, quando somou US$ 1,66 bilhão.
Alexandro Martello
Do G1, em Brasília
O Banco Central revelou nesta terça-feira (25) que os gastos de brasileiros no exterior desaceleraram em setembro, mês no qual o dólar disparou e fechou o período com alta de quase 17% - a quinta maior valorização de todo o plano Real.
No mês passado, segundo números da autoridade monetária, o valor das despesas de brasileiros no exterior totalizou US$ 1,77 bilhão, contra US$ 1,9 bilhão em agosto e US$ 2,19 bilhões em julho. É o valor mais baixo desde maio (US$ 1,66 bilhão). Números parciais da autoridade monetária já indicavam uma desaceleração dos gastos de brasileiros no exterior.
Impacto nos preços
A explicação é que a alta do dólar contribui para encarecer os preços de passagens e hotéis no exterior, que são geralmente cotados em moeda norte-americana. Ao mesmo tempo, também torna mais caros os gastos com cartões de crédito, que também costumam ser cotados em dólar.
"Certamente a evolução do câmbio influenciou este resultado. O volume de [gastos no exterior] setembro caiu bastante em setembro. Os números parciais, do começo de outubro, mostram essa cautela maior com viagens ao exterior. Apesar do câmbio [com queda do dólar frente ao fim de setembro], ainda há muita volatilidade [sobe e desce da cotação]", avaliou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel.
Segundo números do Banco Central, as despesas de brasileiros no exterior em outubro, na parcial até o dia 25, somaram US$ 1,14 bilhão, contra US$ 1,7 bilhão no mesmo mês de 2010 - novamente mostrando desaceleração.
Cotação do dólar
Nesta terça-feira, por volta das 11h, o dólar, porém, já estava operando ao redor de R$ 1,75 - abaixo dos R$ 1,85 do fechamento de setembro. Até agosto, porém, o dólar vinha sendo negociado abaixo de R$ 1,60. A alta do dólar, nos últimos meses, se deve, principalmente, ao crescimento das tensões no mercado internacional.
Acumulado do ano até setembro
Apesar da desaceleração em setembro, ainda segundo informações do Banco Central, os gastos de turistas brasileiros no exterior somaram US$ 16 bilhões, com elevação de 40% frente ao mesmo período do ano passado (US$ 11,47 bilhões).
O valor também já se aproxima do volume de gastos registrado em todo ano passado (US$ 16,42 bilhões - recorde histórico). A série histórica do BC tem início em 1947.
Daniela Amorim, da Agência Estado
RIO - A valorização do dólar em setembro ainda não impactou a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa acelerou a alta de 0,37% em agosto para 0,53% em setembro, puxada pelos aumentos nos transportes e alimentos.
"O dólar no último mês aumentou de forma bastante forte, mas esse impacto ainda não é visível nos resultados de setembro. Podemos até pensar que nos resultados das passagens aéreas haja algum efeito do dólar, mas os outros efeitos de demanda são muito mais fortes", afirmou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.
As passagens aéreas foram o item de maior impacto na inflação do mês (0,09 ponto porcentual), após um aumento de 23,40%. "As passagens aéreas têm uma forma diferenciada de cobrança. Dependendo da demanda, as empresas retiram as tarifas mais baratas. E nesse mês de setembro houve vários eventos, como feriado e Rock in Rio, que fizeram com que os preços se elevassem", explicou Eulina.
A coordenadora do IBGE conta que o efeito do aumento do dólar é sentido mais de imediato no preço dos alimentos. "O tempo para o impacto não sabemos, porque, em geral, não é no mesmo mês (em que ocorre a valorização), porque há estoques e contratos firmados a preços antigos", contou.
"Embora se possa ter reflexos já ocorrendo no atacado, até chegar ao varejo existe uma diferença, não só em termos de tempo como também se vai chegar ou não, e com aquela intensidade. Porque, muitas vezes, o comerciante se apropria de um possível aumento de custo que possa estar havendo para ele. Vai depender da demanda e de como ele vai conseguir botar o produto dele a um novo preço, dada a sua receita, o seu faturamento".
Os bancários em greve tentam estender o movimento para os serviços de informática e de teleatendimento dos bancos. A ideia é fazer com que os trabalhadores de centros técnicos de atendimento telefônico e informática também paralisem os trabalhos. Na quinta-feira, foram registradas interrupções no atendimento via internet no Itaú-Unibanco. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Carlos Cordeiro, atribui as interrupções à greve, mas o banco nega.
"O Itaú confirma a intermitência ocorrida no Internet 30 horas. Não há relação desse fato com o período de negociação salarial da categoria dos bancários. O problema já foi solucionado", diz o banco, em nota. De acordo com Cordeiro, a greve, que está no 11º dia, atinge mais de 8,7 mil agências bancárias, que estão fechadas. Segundo dados do Banco Central (BC), o total de agências em funcionamento no País é 20.073.
Cordeiro diz ainda que os bancos não deram resposta à carta enviada na última terça-feira. "Enviamos carta solicitando nova rodada de negociação e os bancos sequer responderam. O silêncio está levando ao aumento da greve", diz Cordeiro. O presidente da Contraf enfatizou ainda que a greve não é "contra a população, é contra os bancos".
Em nota, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), braço da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) dedicado a negociações trabalhistas, disse que não há qualquer paralisação de área estratégica dos bancos e que a negociação com os bancários permanece. "A Fenaban fez duas propostas completas visando acordo com os bancários e colocou-se à disposição do movimento sindical para tratar de eventuais acertos que fossem necessários. Portanto, não há razão para que a federação apresente nova contraproposta como querem os sindicalistas. O que se espera, agora, é que sejam discutidos os ajustes que levem ao acordo", diz a nota.
Segundo a Contraf, os bancários entraram em greve no dia 27 de setembro, por tempo indeterminado, depois de rejeitarem a proposta de reajuste de 8% feita pela Fenaban na quinta rodada de negociações, o que significa 0,56% de aumento real.
Os trabalhadores reivindicam reajuste de 12,8%, que representa aumento real de 5% mais inflação do período. A categoria quer também valorização do piso, maior Participação nos Lucros e Resultados (PLR), mais contratações, extinção da rotatividade, fim das metas consideradas abusivas, combate ao assédio moral, mais segurança, entre outras reivindicações.
Agência Brasil
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6 de outubro de 2011 | 17h07
José Paulo Kupfer
Na coluna que publica semanalmente no AE News, a colega Cristina Canas, da Agência Estado, escreveu que há indicações de um outubro mais calmo do que setembro, no mercado cambial. Os investidores estrangeiros que, segundo Cristina, têm peso importante na definição da liquidez e dos rumos da taxa de câmbio, diminuíram a exposição ao real ao longo de setembro e entraram em outubro zerados em suas apostas na valorização da moeda.
Ainda há volatilidade nas cotações, mas a tendência parece ser a de que o intervalo das variações se ajuste a uma faixa entre R$ 1,80 e R$ 1,90. É claro que essa situação dependerá sobretudo da evolução da conjuntura internacional e, dentro dela, do que ocorra na Europa. Se não houver uma ruptura, com um colapso em sequência de bancos, será possível ao Banco Central monitorar o dia-a-dia e intervir do mercado sem maiores tumultos.
Em relação aos derivativos, Cristina Canas informa que os aplicadores estrangeiros encerram setembro com posições vendidas líquidas equivalentes a US$ 1,13 bilhão. Algo como 10% da posição vendida carregada em agosto. O ajuste se deu em ambiente fortemente especulativo, mas o número de contratos não mudou muito. Como observa Cristina, o fato mostra que os investidores estrangeiros estavam determinados a permanecer no mercado, ainda que revendo pelo menos parte das apostas numa valorização constante do real.
Nos últimos dez dias de setembro, o mercado cambial operou com extrema volatilidade e pressão altista. No pico do movimento, o dólar chegou a valor R$ 1,95 e houve momentos em que, ao longo de uma única sessão, a oscilação da cotação chegou a 5%.
Nesse período, alguns analistas de mercado atribuíram as pressões no mercado às medidas de cobrança de 1% de IOF, no mercado de derivativos, sobre a diferença entre posições vendidas e compradas. Segundo eles, a medida não funcionou e, de acordo com suas previsões, o mercado só se acalmaria com a retirada do imposto. Parece que estavam enganados.
Houve, no entanto, uns poucos especialistas que previram o ajuste e o retorno das cotações, depois de um período de acomodação, para níveis mais próximos de R$ 1,70. No último boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, a mediana das estimativas do mercado apontava uma taxa de câmbio de R$ 1,73, no fim do ano.